CPMF: a nossa mais recente sangria política!

Herança ibérica? “À frouxidão da estrutura social, à falta de hierarquia organizada devem-se alguns episódios mais singulares da história das nações hispânicas” (Sérgio Buarque em ‘Raízes do Brasil’).

Talvez o leitor atento aos meus anseios diga e, com toda razão: que sujeito mais “anarquista” e marxista! E, de fato, talvez fosse melhor assim ser! Pois, se ser anarquista é ser totalmente inconformado com (in)representantes como os que temos em nosso atual estágio político, o corretamente político seria de fato, ser muito mais que anarquista, muito mais que marxista e quem sabe até Sorelista.

Não entendo como podemos ler em jornais ou, como a grande maioria faz, assistir em telejornais façanhas bizarras como as mais recentes de nossos políticos e ainda permanecermos quietos ou simplesmente, em um ato farto de preguiça e indolência, apenas dizer: “que bando de pilantras!”

Um exemplo clássico do que venho tentando dizer é como aceitamos tão pacíficos a tal da CPMF que, inicialmente, em 1993 era IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira) e durou até 1994. Com a intenção de direcionar esse tributo para a área de saúde (mera intenção!) o governo (advinha de quem?) criou a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) que entrou em vigor em 1997 e desde então vem sempre sendo prorrogada, talvez por ninguém reclamar, ninguém ir às ruas batendo panelas (como é comum aos nossos hermanos argentinos) e reivindicando moral política ou, ao menos, que esse tributo fosse realmente destinado ao fim proposto que é a saúde.

Coitada da saúde cubana que seria uma vergonha perto da nossa se os 36 MILHÕES em média arrecadados, apenas com esse tributo, fossem de fato investidos na saúde.

A boa nova agora é que o governo está tentando aprovar mais uma prorrogação até 2011 e, não serei ingênuo em perguntar se ele vai conseguir enquanto, nós povão, continuaremos não satisfeitos, porém, sem mover uma palha se quer, apenas sonhando com o que faríamos com os franzinos milhões da loteria que, aliás, é outra característica do brasileiro: ser sonhador e telespectador de um filme chamado “país do futuro” que sempre tem sua estréia procrastinada para a geração futura!

Se essa frouxidão é ou não herança ibérica, em especial de Portugal, não quero nada afirmar. O certo é que ela aqui reina e suas conseqüências foram, são e provavelmente serão drásticas para “os filhos desta mãe gentil”!
Foto:Google cartoons

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