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Vergonha, o Brasil está de luto!!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

“Ninguém representa ninguém” já dizia o velho filósofo Nietzsche e, tal dizer, parece nunca ter tido tanta serventia como em nosso atual estágio político brasileiro.
O desencanto há muito tomou conta de mim e, com certeza, de você também em uma terra onde há dois pesos e duas medidas, onde a justiça ainda (se é que um dia não foi) é conduzida censitariamente, onde mazelas se perpetuam bastando apenas mudarem de nomes e de situações e, para não me delongar por demais, cito como exemplo as inúmeras CPIs (dos Correios, dos Bingos, do Mensalão e, por fim, a do Apagão Aéreo).

Esta última é a razão deste, onde o jogo de empurra-empurra, a negligencia político-administrativa, a incompetência de nossos governantes (que na grande maioria dos casos só governam em interesses próprios), a falta de brio, dentre uma série de outras adjetivações pejorativa que, em se aplicando a nossos políticos em sua maioria, são graciosas qualificações, levaram a este trágico acidente aério de ontem (17-07-2007) com o avião da empresa aéria TAM em que há uma sombria expectativa de ter vitimado mais de duzentas pessoas, não bastasse o recente acidente envolvendo o jato Legacy e um Boing da empresa aéria GOL, acidente este que, até hoje permanece sem uma explicação aceitável de sua causa, ou, como é de praxe fazer aqui nesse país, esperou-se que a poeira abaixasse e o povo esquecesse do evento para deixar tudo como está, isto é, sem penalizar seus (ir)responsáveis.
É realmente lastimável que um povo bom, como é o caso do povo brasileiro, padeça de um mal tão terrível como é este, a falta de responsabilidade e de representatividade real por parte dos políticos e, aqui mais uma vez, repito que não é bem verdade que cada povo tem o governo que merece porque em verdade não podemos culpar um povo que desde sua pseudo-independência foi totalmente agrilhoado e desde então, esses grilhões só mudaram de mãos, nomes e situações e, intencionalmente não lhes foi facultado a capacidade de livre escolha de um processo que é erroneamente denominado democracia.
Ainda hoje pela madrugada, nosso (não) representante maior, Excelentíssimo Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva que, muito me impressionou por estar sabendo do acidente, em nota oficial, decretou luto oficial no Brasil de três dias e disse sentir muito pelo, até então, maior acidente da história de nossa aviação… Como é fácil dizer eu sinto muito sem ter perdido um parente ou amigo, não é excelentíssimo?
E, aqui já bastante revoltado, insatisfeito abatido e solidário aos milhões de vítimas da fome, da seca (veja o nordeste), das desigualdades, da corrupção e das CPIs, em especial às do Apagão Aério, não vejo nada melhor para encerrar este do que os versos do sábio Manfredini Júnior em “Perfeição”:

“Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa política e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião…
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e seqüestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
(a lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão…”

Revoltado ou insatisfeito?

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Ao indicar a leitura de minha última postagem aqui ( O mundo ideal)a um amigo, diga se de passagem um de meus melhores, amigo é claro, este não hesitou em afirmar que ao escrevê-lo, por certo, devia estar muito revoltado e, suas palavras me fizeram refletir sobre meu estado de espírito ao escrever “O mundo ideal”!
Com um quadro de desigualdade social, desemprego, baixa escolaridade (aliada a um ensino público de péssima qualidade e que visa somente a números) como este que vemos diariamente em pesquisas, uma renda que se concentra cada vez mais nas mãos de poucos, estaria eu revoltado?

Economistas e estudiosos afirmam que 27% da população jovem brasileira( entre 16 e 24 anos ) são desocupados, isto é, não estudem e nem trabalham.

Estes mesmos analistas dizem que 10% da população economicamente ativa das regiões metropolitanas encontra se desempregada e que seria necessário que o PIB brasileiro crescesse anualmente, ao invés de pífios 2,5%, 5% para que essa população fosse empregada, portanto, com uma performance econômica como tal, que motivos teria eu para estar revoltado?

A saúde, vai muito longe de ir bem, obrigado!! Ao contrário do aumento de impostos e tributos que, ao contrário da lógica, afeta pricipalmente os menos favorecidos e não os detentores de grandes meios produtivos ou nem tão produtivos assim. Impostos estes, como é o caso da CPMF, que nunca tiveram uma certa porcentagem aplicada na saúde como reza suas leis de criação, então, com um quadro desses teria eu motivos de estar revoltado?

E a segurança??? Bem, deixemos isso de lado…

A conclusão que cabe aqui, senhores e senhoras, não devia ser outra, senão dizer ao meu amigo que, por vez, não me encontrava revoltado e talvez, digo talvez porque possivelmente não teria outra palavra pra melhor exprimir meu estado de espírito ao escrever “O mundo ideal” que insatisfeito, só não me pergunte com quem, pois, se nem nosso Nobre Presidente da República nunca sabe de nada, por que logo eu saberia?